Efemérides


No burlesco botequim da vida deparamos com diversas mudanças. Não são apenas mudanças pessoais, frutos da nossa vontade individual.

Sí, galego, não impera somente a ditadura do presente do indicativo. "Eu quero, tu queres, ele quer".

Quem dera, jovem mancebo! A metamorfose está "na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê".

São mudanças de nomes, pessoas, produtos, utensílios, enfim, um grande saldão de variações, que sequer passam pela sua ratificação.

Você vai em frente a sua loja de música preferida, entra para  comprar um vinil e eis a surpresa, o LP não existe mais. Foi substituído pelo CD. Volta um tempo depois e o patinho feio está de volta, e novamente, outra surpresa, agora mais valorizado. Volta depois e não existe mais nenhum. Surge outro formato.

Vai ao botequim e pede uma meia-cerveja, o português, dono da espelunca, incrédulo, arrebata:
- Ora pois, o que seria uma meia-cerveja?

Duvidas, cara pálida? No botequim da esquina apelidaram-a de Romário. Daqui uns dias, indubitavelmente, terá outra variação linguística.

O gaúcho chega na Paulicéia, entra na Padaria e pede logo um cacetinho, para acompanhar o café.

O atendente, atordoado com as vinhas da ira, manda às favas o gaúcho.

Mas bah, tchê, era somente um pão francês. Como diria a Katia, "não está sendo fácil".

Segundo o lendário Stanislaw Ponte Preta, tem a "história daquele prefeito bronqueado com essas besteiras de estar mudando a toda hora o nome da praça principal da cidade, com as constantes oscilações democráticas, ora inaugurando placa nova com o nome de Praça Presidente Café Filho, para logo mudar para Praça Presidente Kubitschek, depois Praça Presidente Jânio Quadros, e em seguida Praça Presidente João Goulart, outra vez para Praça Presidente Castelo Branco. O homem, provando ser um bom administrador municipal, acabou com essa fofoca, inaugurando a placa definitiva com o nome da praça: Praça Presidente Atual".

O hiperbólico torresmo, recebeu a alcunha oficial de "barrinha de cereal". Daqui um tempo não saberemos mais o nome original.

Outro dia, um leitor do blog, reclamou nos comentários, sobre a diversidade dos assuntos. Mascando a goma da ironia, bradava que esperava do blog, somente a temática pertinente ao universo infindável dos botequins.

Quer mais divagações etílicas, que crônicas de botequim, auspicioso leitor?

"Você não sente nem vê/mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo/que uma nova mudança em breve vai acontecer/e o que há algum tempo era jovem novo/hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer".

Um brinde, muchachos e muchachas do PPP, às mudanças!

Outro brinde -- se é que, nessa altura do campeonato, não mudou o nome -- às digressões do blog e às incontáveis variações de assuntos. Leia-se, "evasivas".

E que venham as transformações para nós, errantes navegantes. Ultimamente, mais perdidos que cachorro de mudança.

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Comentários

  1. pra quem já mudou de cidade tantas vezes, mudou de casa, de mulher, de trabalho, ficou sem trabalho, mudou de bares, de amores, de cervejas...e tantas outras coisas, sinto-me homenageado nessa crônica rsrs gde abç

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    1. Grande Felipe!
      A homenagem veio a calhar então.

      Abração

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  2. E ai Gustavo, tem como escrever uma cronica sobre estabilidade para inspirar o homenageado? Kkkkkkk

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    1. Vamos ver...hehe... É tudo brincadeira, hein!

      Forte abraço!

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  3. Efemérides, denotativamente exprime a relação de fatos dia por dia; o mesmo que diário. Conotativamente essa delícia de texto! É nítido a melhora na sua escrita, crônica por crônica o que "efeméridemente" falando pode-se perceber pela quantidade maior de publicações; a moça do torresmo de crônicas passadas virou o hiperbólico torresmo...divaguei, divaguei, auspiciosamente!
    Bj
    Mallu

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  4. Aqui no Rio falamos biscoito para o que os paulistas insistem em dizer "bolacha". Em nenhum pacote de biscoito existe a palavra bolacha. Vai entender!
    Abr
    Sérgio Campos.

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    1. Vero, caro Sérgio Campos. Fui comprar uma bolacha...ops... biscoito agora para conferir. Tem razão.

      Forte abraço!

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  5. Adoro esta frase da minha xará Clarice Lispector: "Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo.
    (...) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.Sou um coração batendo no mundo."
    E sempre que cogito uma mudança penso nela...
    Bj Gustavo.

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    1. Vc conhece?
      http://www.prosaepoesia.com.br/mostra.asp?cod=997
      Bj

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    2. Não conhecia. Muito bom! Curti! Como faço para seguir?

      Beijos

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  6. Efemérides seria uma boa sugestão caso o blog cogite mudar de nome! rsrsrs
    bj querido.
    Débora.

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